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Mostrando postagens de setembro, 2017

Você foi um erro, mas obrigada

Uma vez, há muito tempo, eu namorei um cara incrível. Ele me ensinou muitas coisas sobre filmes e história em quadrinhos e a gente sempre tinha tanto assunto sobre qualquer coisa que parecíamos almas gêmeas. Eu o admirava tanto que me apaixonar por ele era tão lógico e natural quanto, sei lá, emergir até a superfície quando se está sem ar debaixo d'água. Na época, eu era muito nova – emocionalmente falando. Finalmente tinha chegado na fase adulta e me sentia no auge da minha maturidade. Achava que era forte, incorrigível, indomável, segura das minhas convicções. Mas não era. E estar com ele por tanto tempo (um tempo recorde pra mim) só deixou isso claro. Pra tentar deixar as coisas razoáveis entre nós, eu dei as costas pro empoderamento que eu tanto pregava, reprimi minha espontaneidade, me senti errada mesmo quando eu achava que estava certa. Eu era um pássaro conform...

Posso fazer tudo sozinha, mas nem sempre eu quero

Eu amo estar sozinha. De verdade. Não é o tipo de coisa que eu digo pra fingir pra mim mesma e pras outras pessoas que estou ok com isso. Nesse exato momento, sou o único ser humano da casa, não preciso conversar, nem ouvir, nem ser interrompida. Posso andar nua, de calcinha, deixar a louça pra depois, sair sem dizer pra onde vou e voltar sem me importar com a hora. Se isso não é liberdade, eu não sei o que é. A questão é que às vezes cansa. Ou melhor dizendo: às vezes não é conveniente.  Por exemplo: eu amo comer. E, hoje, me deu uma vontade louca de ir pra um rodízio de pizza que tem num shopping aqui de perto. Mas não tem a menor graça ir pra um rodízio sozinha. Rodízio é aquele programa que você vai comer sem compromisso com a hora, com o preço, com a quantidade e fica falando de coisas triviais com alguém. A espera pela pizza que você tanto quer se torna agradável se você está em boa companhia. E sozinha? Provavelmente, eu ficaria impaciente com todas as esperas. Comeria ...

Crise de meia idade

Eu estava na segunda cerveja, já meio sem visão periférica, com o lábio dormente e ficando com aquele sono que sempre bate quando eu bebo algo fermentado. O Gabriel tinha vindo de carro e, por isso, eu estava bebendo sozinha.  A semana tinha sido corrida pra nós dois: cada um sacrificando as preciosas horas de sono por motivos importantes - eu pelas provas, ele pela namorada. Então estávamos os dois exaustos dos dias anteriores, mas persistentes na ideia de nos encontrarmos pra colocar o assunto em dia e comer hambúrguer.  Combinamos de ir cedo pro barzinho pra não sairmos de lá tarde - e quando deu dez e meia já estávamos bocejando enquanto terminávamos de comer a batata frita. Mas tudo bem, nenhum de nós encarava isso como falta de interesse: reconhecíamos o cansaço um do outro e fomos tratando de nos despedirmos pra finalmente descansar.  Me surpreendi quando cheguei em casa e ainda faltava mais de uma hora pra dar meia-noite. Parecia que cada vez eu chegava mai...

Camellia sinensis

Estava sentada no banco daquele shopping deserto que você gostava tanto de ir. Eu nunca tinha te visto, mas já adorava a sua pessoa. Você chegou com o seu jeito sério e tímido – tão característico –, a mochila de quem veio direto da faculdade, e o adesivo do Freixo colado na blusa preta. E, ao te ver, sorri imediatamente porque me reconheci em você. Achava engraçado como tínhamos assunto novo até recordando brinquedos da infância remota dentro da Rihappy e como falávamos de coisas difíceis com tanta naturalidade, como se nos conhecêssemos há tempos, sem estranhezas. Lembro que fomos comer e acho que nunca tomei tanto chá gelado na minha vida: um copo atrás do outro, copo um camelo no deserto ou um alcoólatra no bar. Quando eu fico nervosa, preciso ocupar meu corpo com alguma coisa inócua porque sei que minha mente ansiosa pode me trair e me obrigar a falar ou agir de um jei...

Eu acredito no ontem

Não sei se posso sentir saudades. Sei que posso, literalmente, sentir aquele aperto no peito, aquele vazio, aquele gosto típico de nada na boca quando lembro de você. O que não sei se posso é ter o direito de sentir sua falta. O tempo passou muito rápido. Já não lembro mais quantos meses ou anos ou séculos se passaram desde a última vez que te vi. Desde que você se foi, nada mais foi igual. E como poderia? Você foi a última pessoa que eu amei – tanto a mais recente quanto a última possível de despertar em mim alguma coisa realmente boa. Adora sigo indiferente a todas às outras e isso só me faz pensar mais ainda em você. Ainda lembro do dia que te vi a primeira vez e da fração de segundos exata em que me apaixonei por você. Lembro como se fosse ontem, talvez porque não faça tanto tempo assim que aconteceu. Mas o fato de nunca mais ter te visto ou falado com voc...