Posso fazer tudo sozinha, mas nem sempre eu quero
Eu amo estar sozinha. De verdade. Não é o tipo de coisa que eu digo pra fingir pra mim mesma e pras outras pessoas que estou ok com isso. Nesse exato momento, sou o único ser humano da casa, não preciso conversar, nem ouvir, nem ser interrompida. Posso andar nua, de calcinha, deixar a louça pra depois, sair sem dizer pra onde vou e voltar sem me importar com a hora. Se isso não é liberdade, eu não sei o que é.
A questão é que às vezes cansa. Ou melhor dizendo: às vezes não é conveniente.
Por exemplo: eu amo comer. E, hoje, me deu uma vontade louca de ir pra um rodízio de pizza que tem num shopping aqui de perto. Mas não tem a menor graça ir pra um rodízio sozinha. Rodízio é aquele programa que você vai comer sem compromisso com a hora, com o preço, com a quantidade e fica falando de coisas triviais com alguém. A espera pela pizza que você tanto quer se torna agradável se você está em boa companhia. E sozinha? Provavelmente, eu ficaria impaciente com todas as esperas. Comeria menos e iria em bora, frustrada e com vontade de chorar.
Tem dia que você acorda e só quer uma pessoa legal perto de você pra tomar um sorvete. Porque até sorvete, que é essa maravilha inventada pela humanidade, se torna um pouco menos doce quando não tem alguém do lado pra compartilhar.
De todos os meus amigos mais próximos, só 2 não namoram. E são os dois que moram mais longe de mim. E que trabalham/estudam de manhã até de noite. E que nos fins de semana tem mais o que fazer.
Meus outros amigos, os mais íntimos, namoram. E eu adoro os respectivos namorados. De vez em quando, saímos todos. E por ter namorado algumas vezes, eu sei que casais gostam de estar só entre si, sem aquele amigo de vela ou aquela galera reunida. Obviamente, eles se tornam mais indisponíveis nas horas que me dá a louca e eu quero companhia pra alguma coisa. Naqueles momentos raros em que ser autossuficiente não é possível.
E é aí que eu penso que queria ter um namorado ou qualquer relação que o valha. Não é pelo beijo, não é pelo sexo, não é pra me fazer companhia no cinema, é pra me dar a mão nos corredores da faculdade, não é pra me mandar mensagem de bom dia, não é pra ouvir um "tô com saudades" e nem pelo abraço protetor quando eu estiver com medo de alguma coisa . Tudo isso é legal, claro.
Mas seria bom ter alguém pra ligar e falar que quero muito tomar sorvete. Ou que acordei com vontade de comer cachorro quente da praça. Que quero ficar em casa jogando CanCan e pedir aquela pizza daqui de perto. Ou torrar o dinheiro da minha bolsa num rodízio de comida japonesa.
Você pode achar que eu estou exagerando, já que eu fico feliz de viajar sozinha pra outros estados, passear, almoçar na faculdade etc. sem me importar em estar acompanhada - inclusive gostando de não estar. E realmente, na maior parte do tempo eu aprecio ficar só com meus pensamentos e até com as minhas neuras.
Só que tem dia e ocasiões em que isso não se aplica. Em que bate um desânimo e um sentimento de abandono absurdo quando você só quer sair com algum amigo e nenhum deles pode. Em que você se sente órfã de alguém que esteja ali por você, mesmo sabendo que não é por mal nem por falta de consideração.
Mas tá tudo bem. Vai passar. Amanhã eu vou acordar e vou voltar pro meu modus operandi - independente, autossuficiente, orgulhoso e focado.
Vai passar.
Tá tudo bem.
Mas que saco! Eu só queria tomar um sorvete com alguém. É pedir demais?
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