Eu acredito no ontem
Não sei se posso sentir saudades. Sei que posso, literalmente, sentir aquele aperto no peito, aquele vazio, aquele gosto típico de nada na boca quando lembro de você.
O que não sei se posso é ter o direito de sentir sua falta.
O tempo passou muito rápido. Já não lembro mais quantos meses ou anos ou séculos se passaram desde a última vez que te vi.
Desde que você se foi, nada mais foi igual. E como poderia? Você foi a última pessoa que eu amei – tanto a mais recente quanto a última possível de despertar em mim alguma coisa realmente boa.
Adora sigo indiferente a todas às outras e isso só me faz pensar mais ainda em você.
Ainda lembro do dia que te vi a primeira vez e da fração de segundos exata em que me apaixonei por você. Lembro como se fosse ontem, talvez porque não faça tanto tempo assim que aconteceu.
Mas o fato de nunca mais ter te visto ou falado com você faz parecer que tudo ficou há milênios de distância.
Às vezes, repetidamente, questiono a sua necessidade de ter sumido como um grão de areia que se deixa levar por uma ventania.
Tento não me estender nessa dúvida porque a resposta, eu bem sei, é que a culpa foi minha. Mas nada do que eu te fiz foi por mal. Meu mal nunca foi por mal.
E quando você foi embora, e eu fiquei parada no mesmo lugar te vendo ir, eu só desejei que você entendesse isso. Porque, às vezes, é melhor ser compreendido do que amado.
Quando eu me pego perguntando se posso sentir sua falta, eu sempre desejo que você tenha entendido e me perdoado. Me perdoado pra eu poder ter o direito pleno de sentir saudades e de viver livre da culpa que sinto toda maldita vez que lembro que eu magoei você.
Porque eu sei que eu posso viver sem seu amor, viver sem ter ninguém por mim – como você previu que aconteceria. Isso não me importa. O que eu não posso suportar, nem mais um dia sequer, é a culpa inocente de não ter te amado o suficiente.
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