Despedida
Acordei de madrugada achando que já era tarde. O relógio na cabeceira da cama marcava 5:30 da manhã. Mas não tinha importância porque eu sempre me atrasava pra chegar no trabalho. Então, acordar um pouco mais cedo só podia ser vantajoso. Me arrumei e tomei aquele café da manhã de serviço de bordo, típico de quem mora sozinho e não tem paciência pra fazer qualquer coisa muito cedo. Mesmo quando eu tentava não pensar nisso, mesmo me educando mentalmente todos esses meses, era inevitável pensar nela. Ela, cuja ausência era sentida em cada canto da casa, em todo minuto da rotina. Sentia falta dela queimando demais o pão na frigideira, das músicas que ela escolhia no carro quando íamos pro trabalho juntos. Da forma como ela dobrava as minhas roupas na gaveta, do cheiro de laranja que ficava no banheiro quando ela lavava os cabelos longos e cacheados. Todos os dias não estar com ela era uma...