Não se bebe duas vezes o mesmo drink
Voltei naquele bar porque lá tinha experimentado o melhor coquetel de frutas que bebi no Rio.
Do lado de dentro, procurei a mesma mesa da primeira vez. Sentei na mesma cadeira. Olhei as mesmas coisas. Dessa vez, era dia e o lugar não parecia tão intimista.
Pedi a mesma bebida e achei o gosto... decepcionante. Parecia como qualquer outro coquetel mal feito que eu já tinha bebido por aí, sem a proporção perfeita entre o doce das frutas e o amargo alcoólico.
Talvez eu tivesse me enganado. Perguntei pro garçom se tinha outro coquetel parecido e, quando ele negou, perguntei se a forma de fazer tinha mudado, ao que ele também fez que não com a cabeça.
Bebi distraída pensando que tinha andado bastante pra estar ali. Porque aquele sabor tinha me chamado atenção e agora eu estava com gosto de vazio na boca pensando que tinha sido perda de tempo.
Meus pensamentos voltaram àquele dia e ri sozinha lembrando das suas piadas. Você é um cara inteligente e com um olhar crítico, mas sem perder o bom humor. Gosto da forma como você encara a vida e gosto mais ainda por ser tão diferente da minha.
Terminei o coquetel e pedi outro, como uma segunda chance – talvez uma alusão inconsciente da segunda chance com você que eu gostaria de ter tido. De novo, não encontrei o mesmo sabor das minhas memórias.
Esse bar era a 2 quadras da sua rua e fiquei pensando se seria constrangedor te ver entrando. Eu deveria acenar ou fingir que não te conhecia? E se você tivesse com alguém, eu ia me importar?
Fiquei ali algum tempo. Uma hora ou duas. Pensando na vida e nas coisas que queria que fossem diferentes. Em algum momento, tarde demais, acho que te vi pela janela, de costas para mim, com uma mochila preta, no sentido oposto à sua casa e ao ponto do ônibus que você pegava pra ir pra faculdade. Pra onde você iria àquela hora?
Mas talvez nem fosse você. Provavelmente não era.
Mas se fosse, você teria passado bem na hora em que eu não estava prestando atenção e isso parecia injusto.
Depois disso, cada rosto que passava eu pensava que fosse seu e isso me angustiou um pouco.
Já estava convencida de que não tinha gostado tanto assim daquela bebida e que a boa lembrança era por causa da sua companhia.
Voltei naquele bar porque achei que lá tinha experimentado o melhor coquetel de frutas que bebi no Rio. Mas a bem da verdade, lá eu tinha experimentado a companhia de um cara legal que tinha tornado um coquetel comum uma experiência única.
Saí de lá com a boa impressão desmistificada e 40 reais a menos. Infelizmente, estar com você de novo não estava disponível no cardápio.
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