Segunda chance

Fico arrependida logo assim que te encontro. Você é um carinha até legal pra se conversar pela interrnet, mas pessoalmente não temos assunto nenhum. Ainda não sei porque aceitei sair com você de novo. Talvez aquilo de que todo mundo merece uma segunda chance...
Você acena pra mim e eu quero girar nos calcanhares e dar meia volta, fingir que não sou eu e sair correndo de volta pra minha casa.
Mas agora não tem mais jeito e aqui estamos nós, andando pelo shopping tentando conversar como gente normal. Eu sei que não quero ficar com você mesmo antes de ter ficado. Sei que você também não vai tomar nenhuma iniciativa louvável, exatamente como não tomou da outra vez, então sugiro almoçarmos. Quanto antes, mais rápido saio daqui.
Minha sorte é a fome: posso comer e comer e comer e passar minutos sem precisar inventar um assunto em que você possa conversar de igual pra igual. Não que eu me sinta superior, mas o fato de não tee nenhum amigo em comum com você, nem um mesmo espaço em comum ou um gosto musical muito semelhante, a coisa começa a complicar. E mais uma vez me pergunto porque estou saindo com você!
Você não é feio. Seus olhos são lindos, você só precisa aprender a cortar esse cabelo, porque assim tá ruim. Você usa roupas que combinam com seu tom de pele (ponto pra você!), mas não gosta de perfume (menos 10 pontos pra você!). Seu jeito tranquilo demais começa a me dar nos nervos. Sou ansiosa e agitada, preciso de movimento. A culpa não é sua de eu não gostar de caras paradões.
Terminamos de almoçar e você sugere ir pra um lugar bem nada a ver, como um parque a céu aberto, com esse calor infernal. Não sei se é lá que você pretende tomar alguma iniciativa, mas não quero ficar pra descobrir. Dou logo uma desculpa e vou embora.
Entro no onibus e aceno sorrindo. Que alegria saber que finalmente estou indo embora! "A gente se vê outro dia", você diz e eu concordo com culpa. Não quero te ver de novo.
Volto pra casa me sentindo uma babaca. Você é um garoto legal, eu é que sou cheia de coisa. Mas realmente não me interessei em ficar com você. Não assinei nenhum contrato social que me obriga a beijar um cara com que saio duas vezes, não é? Então, ninguém deveria poder me julgar de "estar enrolando" você. Muito menos você.
Ou talvez isso já estivesse em alguma cláusula de termos de uso do programa que baixei no notebook semana passada, onde marquei "Li e concordo com os termos de uso" sem nem ter olhado quantos parágrafos tinha. Mas espero que você também não tenha lido.
Mas talvez tenha, já que você fala comigo quando chego em casa e eu só quero te dizer, do fundo da minha alma, que não vamos sair mais. Você me cobra uma ida ao cinema que "fiquei te devendo hoje" e eu digo que vamos sair quando eu tiver tempo. Eu estou de férias, é claro que estou com tempo de sobra, mas a mentira descarada cai melhor do que a verdade. Não querendo deixar você triste, opto pela dose homeopática da espera.
Sinto muito, meu amigo, mas você escolheu querer sair com a garota mais complicada que eu conheço, que se arrepende de ter saído de casa assim que encontra você no shopping que ela mais detesta. Desculpa mesmo.
Não acho que nasci pra ficar sozinha, só não acho que nasci pra sair com rapazes como você. Vou tomar mais cuidado na próxima. Desculpa qualquer mau jeito. E já me desculpe previamente por nunca mais te ver.

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